O início de 2026 consolida um movimento que já vinha se formando no terceiro setor brasileiro: transparência e profissionalização deixaram de ser diferenciais. Tornaram-se condição básica para acesso a recursos, parcerias e oportunidades.
Essa mudança não é moral nem discursiva. É estrutural.
Ela aparece nas pesquisas, no desenho das políticas públicas e na prática cotidiana de empresas, institutos e financiadores.
É importante deixar claro desde o início:
essa virada não acontece porque as OSCs falharam, mas porque o ambiente ficou mais regulado, mais observado e mais pressionado por justificativas internas. O peso não é ideológico — é operacional.
As evidências mais recentes apontam para três movimentos centrais:
Transparência como critério objetivo de decisão
Profissionalização mínima como expectativa do ecossistema
Padronização informal dos critérios de avaliação das OSCs
Esses movimentos se reforçam entre si e ajudam a explicar por que tantas organizações consistentes continuam fora das conversas estratégicas.
A Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS em parceria com o Ipsos, explicita o principal descompasso do setor:
81% das pessoas afirmam que a confiança na instituição é decisiva para doar
Apenas 30% acreditam que a maioria das organizações sociais é confiável
Só 33% consideram claro o uso dos recursos pelas OSCs
O problema não é falta de solidariedade.
É falta de informação clara, acessível e organizada.
Em 2026, isso deixa de ser apenas uma questão reputacional.
Organizações pouco transparentes não são rejeitadas — são ignoradas nos processos de decisão.
O segundo movimento é a consolidação da profissionalização como base do jogo.
O Censo GIFE 2024–2025, do GIFE, já indicava um campo de investimento social privado mais estratégico, com maior pressão por governança, evidências e prestação de contas.
Em 2026, isso se traduz em exigências objetivas:
informações organizadas
responsáveis definidos
histórico institucional acessível
coerência mínima entre discurso e prática
Não se trata de “virar empresa”.
Trata-se de não depender mais do improviso permanente para sustentar relações e decisões.
Esse movimento não foi moldado apenas por pressão do mercado.
Ele também foi estruturado por política pública.
O MROSC — Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Lei nº 13.019/2014) é uma lei nacional, válida para União, estados, Distrito Federal e municípios. Ele estabeleceu um modelo de parceria com o poder público baseado em:
planejamento formal
execução documentada
prestação de contas estruturada
Mesmo organizações que não operam diretamente com recursos públicos passaram a ser influenciadas por esse padrão.
O ecossistema aprende — e replica.
Na prática, mesmo sem um formulário único, os critérios começaram a convergir.
Todos acabam perguntando quase as mesmas coisas, ainda que em formatos diferentes.
Iniciativas como o Mapa das OSCs, do IPEA, reforçaram esse referencial comum:
dados institucionais básicos
informações claras sobre atuação
evidências de execução
regras mínimas de governança
Quem não consegue apresentar esse básico fica fora da conversa antes mesmo da análise de mérito.
Essas tendências convergem em um ponto central: transparência operacional.
Em 2026, transparência não é relatório longo nem discurso bem escrito.
É:
informação fácil de encontrar
documentos organizados
histórico legível
dados consistentes ao longo do tempo
Isso exige profissionalização mínima, não estruturas complexas.
É a partir dessa leitura que a hubCSR se posiciona.
Para a hubCSR, o problema central do terceiro setor não é falta de ação, mas falta de infraestrutura para organizar, sustentar e apresentar o que já acontece.
A maioria das OSCs realiza trabalho sério.
O que falta, muitas vezes, é um jeito simples de tornar esse trabalho:
encontrável
legível
comparável
contínuo
Transparência, nesse contexto, não é exposição.
Profissionalização não é burocratização.
A posição da hubCSR é pragmática:
organizações não precisam fazer mais — precisam organizar melhor, com menos retrabalho e mais continuidade.
Em um ambiente onde transparência e profissionalização viraram condição de entrada, o papel da hubCSR é atuar como infraestrutura viva, reduzindo atrito entre quem faz, quem avalia e quem decide.
O terceiro setor não está sendo endurecido.
Está sendo avaliado com mais critério.
Em 2026:
transparência virou condição de entrada
profissionalização virou expectativa mínima
improviso virou fator de risco
Organizações que entendem esse cenário não ganham apenas mais confiança.
Ganham mais velocidade, menos desgaste e mais chances reais de continuidade.